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RH precisa estar mais próximo aos negócios e à cultura organizacional.

por Fernando Oliveira - 25/08/2015

Em meio às incertezas econômicas e políticas da América Latina e do mundo, os palestrantes do Fórum ABRH têm ao menos uma certeza: é preciso reinventar o RH. O CONARH 2015 convidou o presidente do conselho consultivo da Fidagh (Federação Interamericana de Associações de Gestão Humana), Eladio Uribe, o presidente da WFPMA (World Federation of People Management Associations), Jorge Jauregui, o vice-presidente administrativo e financeiro da ABRH-Brasil, Cassio Mattos, e o diretor de RH do Grupo Clarin, Horacio Quiros, para debaterem os rumos locais do RH com o tema “Cenários de gestão de pessoas: visão global e Latino América”.

Em sua fala, Eladio chama atenção para a atuação do RH em um cenário competitivo global e discute o papel da gestão de pessoas dentro da organização, que deve ser engajada e atenta às especificidades de cada contexto. “O RH precisa reconhecer a cultura organizacional, conhecer a economia do país para poder atuar em cenário global. Para produzir, tem que estar coordenado com todos os processos, com a competência e com o que está acontecendo com a política econômica do seu país”, ele aponta.

Essa nova postura reflete na preferência de alguns executivos ouvidos por Eladio em trazer para o cargo de RH colaboradores com experiência na área operativa, e não profissionais que estudaram de fato a gestão de pessoas. Segundo ele, isso ocorre devido ao maior conhecimento da organização e da maior participação nos processos operativos, que levam às vezes a melhores resultados. Para reverter esse quadro, Eladio afirma que “devemos reinventar os RHs para poder conservar o nosso lugar de trabalho e também ser útil à organização.”

Para Cassio Mattos, o RH passa a ser valorizado quanto mais participa efetivamente dos negócios. Em suas palavras, “isso acontece quando o gestor entende do posto de trabalho, conhece processos comerciais, entende da cultura, ajuda a implementar e a alterar quando necessário”. Assim como os outros palestrantes, Horacio Quiros entende que alguns processos de gestão também devem ser revistos, como a avaliação de desempenho de liderança, pois possuem indicadores demais e fogem dos reais problemas. “Isso deve haver especialmente em situações de crise, as quais quase todos os países do mundo enfrentam de uma maneira ou outra a intensidade, mas a situação de crise deve ser o foco”, pontua.

Outro ponto também debatido foi o desenvolvimento de lideranças. Na visão de Mattos, há uma deficiência no autoconhecimento das lideranças sobre seu papel como líderes. Para contornar essa situação, é preciso trabalhar com as principais queixas das lideranças, para sanar uma carência coletiva dos perfis dos líderes. Nesse sentido, ele acredita que uma avaliação de desempenho feita uma vez por ano não é suficiente, como ocorre na maioria das organizações. “Na percepção dos líderes, a avaliação de desempenho continua sendo do RH e não da sua gestão, do seu apoio e o desenvolvimento do seu liderado”, finaliza.

Fonte: Revista Melhor 

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